quinta-feira, 29 de setembro de 2011

OEIRAS Passeios dominicais podem ter lixo por companhia

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Termina a recolha de resíduos sólidos urbanos nos sábados à noite e na véspera de feriados Os passeios dominicais em Oeiras podem vir a ser menos agradáveis. A partir deste fim-de-semana, a Câmara deixa de assegurar a recolha dos resíduos sólidos urbanos nos sábados à noite e nas vésperas de feriados. A decisão é acompanhada do apelo aos munícipes para que “evitem depositar resíduos nas vésperas desses dias”. Em comunicado, a autarquia justifica a medida pelo “facto de não haver meios humanos suficientes para garantir este serviço ao longo dos sete dias da semana, já que se verifica, desde há alguns anos a esta parte, uma crescente discrepância entre a legislação que regula a lei laboral que serve e regula a Administração Central e as necessidades específicas das autarquias locais”. Ou seja, “actualmente, para as autarquias locais está vedada a admissão de funcionários que não tenham relação jurídica de emprego com a administração pública, o que a par dos limites máximos de horas extraordinárias impostas aos trabalhadores, reduz a capacidade operativa nos serviços”. As consequências desta situação dependerão da atitude dos munícipes, postos perante o dilema: ficar com o lixo em casa mais um dia, ou, contrariando o pedido da Câmara, depositar os resíduos na rua, com os inerentes efeitos indesejáveis. Após breve auscultação aos munícipes feita pelo JR, a ideia que fica é que haverá tendência em optar pela segunda hipótese. “Vai dar mau resultado porque não acredito que as pessoas fiquem como lixo em casa”, salienta Maria Fátima Marques, moradora em Paço de Arcos e que até tem dois familiares a trabalhar nos serviços de limpeza da Câmara. “Já mesmo nos dias em que há recolha, não é raro ver algum entulho à volta dos contentores... Às vezes é porque há gente que não se dá ao trabalho sequer de abrir a tampa”. Esta munícipe é de opinião que “estamos a andar para trás”, pois “mesmo antes desta medida, já se verificava, cada vez mais, que havia zonas em que o lixo não era recolhido todos os dias como dantes”, dando como um dos exemplos a Avenida dos Bombeiros Voluntários de Algés. “Nas últimas duas semanas é a segunda vez que vejo os contentores cheios pela manhã”, assegura, lamentando que nesses casos “a tendência das pessoas é pôr as culpas nos próprios funcionários, quando esses não têm culpa nenhuma”. Na verdade, os trabalhadores de limpeza até são afectados nos seus rendimentos por não poderem aumentar o magro salário-base através de mais horas extraordinárias, cujo limite está agora fixado em 100 ou 150 por ano. Uma limitação que se junta à proibição de contratar mais assistentes operacionais para esta área ou sequer de substituir aqueles que saem por aposentação. Perante este quadro, a Câmara de Oeiras garante que foram “estudadas e esgotadas todas as soluções possíveis”. Mas afirma acreditar que os munícipes vão incorporar no seu quotidiano as novas circunstâncias de recolha do lixo. Esta crença, porém, não parece ser partilhada de forma generalizada. Disso mesmo dá conta outra moradora contactada pelo JR, em Linda-a-Velha. “Acho que aos domingos de manhã vamos assistir a contentores cheios de lixo, por dentro e por fora, o que vai afectar a qualidade de vida das pessoas em dias que até são para passear nas ruas”, prognostica Helena Ferreira, questionando: “Afinal, para que é que a gente paga impostos?!”. Os constrangimentos também devem afectar a restauração e o comércio em geral. João Antunes, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Oeiras e Amadora (Acecoa), declarou-se desconhecedor da medida, afiançando não ter recebido qualquer informação sobre o assunto. Mas não tem dúvidas em afirmar que os donos dos restaurantes “claro que vão despejar o lixo na rua, não vão ficar com ele nos seus estabelecimentos”. Na opinião deste dirigente, “onde existirem ‘moloks’ e ilhas ecológicas – sistemas de deposição no subsolo e com grande capacidade – talvez as coisas corram melhor, mas onde só houver contentores vai ser problemático”, analisa, adiantando, ainda assim, que “a limpeza melhorou em Algés”, um dos principais pólos de comércio tradicional do concelho. O assunto foi discutido na última reunião da Assembleia Municipal de Oeiras, no período antes da ordem do dia, com os partidos da oposição, em geral, a criticarem a medida e os que apoiam o executivo a apontarem o dedo às regras impostas pela Administração Central e à situação de crise do país “herdada” pelo actual Governo. Falando em representação do presidente da Câmara, o vice-presidente, Paulo Vistas, frisou ser “impensável manter uma recolha do lixo eficaz tal como estava”, adiantando não ser vontade do executivo “fazer como fazem outras câmaras” e recorrer ao ‘outsorcing’ destes serviços a empresas privadas. A concluir, aquele responsável manifestou a confiança de que, “se houver uma rotina por parte dos munícipes” de não colocar o lixo na rua nos dias em causa, “a medida não porá em causa nem a saúde pública, nem a qualidade de vida dos oeirenses”.

COSTA DA CAPARICA Chamar a atenção do Governo

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Deputados e autarcas visitam freguesia A construção de um porto de contentores na Trafaria, que tem sido fortemente contestada por autarcas e pela população, poderá estar agora mais afastada. Precisamente no dia em que os deputados do PSD eleitos pelo círculo de Setúbal estiveram de visita à Costa da Caparica, onde reincidiram contra uma linha de comboios até à Trafaria que viabilizaria o porto de contentores nesta localidade, nessa mesma segunda-feira, dia 26, à noite, o ministro da Economia, anunciava que o Governo pretende desviar o dinheiro do projecto TGV para duas linhas de bitola europeia que irão ligar os portos de Sines e Aveiro a Espanha. Uma estratégia que o deputado social-democrata Nuno Matias e o presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica (PSD) parecem estar de acordo. Nessa mesma segunda-feira, de manhã, defendiam que “o que faz sentido é o transporte de contentores entre o Porto de Sines e Madrid, e não a partir da Trafaria". Para o presidente da freguesia, António Neves, caso o terminal venha mesmo para a Trafaria, os turistas das praias da Costa da Caparica, “em vez de verem a Serra de Sintra, passam a ver contentores”. E o deputado Nuno Matias acrescentava que “não faz sentido o Governo não dar continuidade à exploração do Porto de Sines. É mais caro construir vários pequenos portos quando se pode rentabilizar, em muito, o que já existe”. Para além disso, “nem mesmo a capacidade de Setúbal está esgotada”. Manter o Transpraia Um comboio que os autarcas do PSD querem mesmo na Costa da Caparica é o Transpraia. “Não podemos perder este transporte tradicional”, reafirma António Neves. Inclusivamente, diz o autarca que, em conjunto com o proprietário deste transporte entre a Costa da Caparica e a Fonte da Telha, foi já enviada uma exposição a Pedro Passos Coelho, e ao restante executivo governativo, onde se explica que o Transpraia faz parte da Costa da Caparica pelo que “não pode acabar e tem de voltar para a frente urbana”. A presença dos seis deputados social-democratas na Costa da Caparica teve ainda por missão alertar o Governo para a importância de dar continuidade ao programa Polis na Costa da Caparica. “É um programa que não precisa de dinheiro do Governo. Há terrenos, do Estado e da autarquia que, ao serem alienados, podem custear o Polis”, afirma Nuno Matias. Por isso, “tudo depende de haver vontade política”. Continuar com o Polis Para os deputados, “os anteriores governos cometeram muitos erros com o Polis da Costa da Caparica”, por isso querem chamar a atenção de ministros como Assunção Cristas (Ambiente) para que o projecto não pare. “Neste momento ninguém sabe quem tem responsabilidade da manutenção do muito pouco que foi feito”, diz António Neves que aponta o Parque Urbano da Costa da Caparica. “Não tem manutenção”, assim como a cobertura de madeira no areal da frente urbana está a levantar e “ninguém sabe quem arranja”. Aliás, todo o processo do Polis “é algo que ninguém entende. De um programa que já devia ter terminado e do qual constam sete planos de pormenor, apenas dois estão executados, dos outros nada se sabe em concreto”. Mais grave ainda diz o eleito, é o enchimento artificial das praias da costa. “Um processo que começou mas ninguém sabe se vai continuar”. É que “o Instituto da Água (INAG) sabe que se as obras de enchimento com areias não continuarem zonas como a de S. João vão desaparecer”. Neste momento “estão em falta cerca de mil metros cúbicos de areia. O INAG diz que está tudo preparado, mas não diz quando recomeçam com o enchimento de areias”. No alinhamento da visita dos deputados do PSD esteve ainda a construção da estrada regional 377-2. “É uma via fundamental para a Costa da Caparica”, defende António Neves. E quanto ao argumento de que esta pode ditar o fim das Terras da Costa como zona agrícola, o deputado Nuno Matias garante “não existirem dúvidas de que ambas as coisas podem subsistir”. Aliás, “neste momento o que é mau para a Costa da Caparica é continuar a permitir o trânsito a atravessar a estrada florestal. Se há um incêndio vai ser muito complicado”.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Câmara Cascais propõe fusão de freguesias

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Proposta municipal abrange Cascais-Estoril e Carcavelos-Parede Mais vale prevenir do que remediar. Em época de contenção económica, a Câmara de Cascais ‘arruma a casa’ e passa a ‘pente fino’ todos os recursos que tem para minimizar o desperdício. O que pretende é tirar o máximo de proveito com o que tem, sem gastar mais. Para isso, vai apelar à participação dos munícipes, reorganizar os seus serviços, melhorando também a relação destes com os diversos departamentos e tem ainda em cima da mesa uma restruturação administrativa que visa a fusão de algumas juntas de freguesia, encarando a hipótese de Cascais passar a ter, em 2013, apenas quatro juntas: Estoril- Cascais, Carcavelos-Parede, Alcabideche e São Domingos de Rana. Uma medida que acompanha, aliás, algumas das intenções reveladas esta segunda-feira, pelo Governo, que apresentou o Documento Verde da Reforma da Administração Local. “Cascais não pode ficar alheado do esforço nacional que se vive actualmente e neste momento de necessidade cabe-nos apresentar oportunidades e é isso que a Câmara está a fazer”, explicou ao JR o presidente da Câmara de Cascais. “Estamos a desenvolver a revisão do Plano Director Municipal (PDM) para o que vamos apelar à participação da população. Estamos também a racionalizar os serviços municipais e todo o sistema operacional da Câmara e pretendemos, ainda, uma restruturação administrativa que passa, não por uma extinção das freguesias, mas por uma aglomeração de algumas freguesias que passarão a estar sob a administração e política de um único órgão”, revelou Carlos Carreiras, que esclareceu de seguida: “O que defendemos é que se mantenham as seis freguesias que hoje existem no concelho, mas elegemos apenas quatro juntas. São elas: Estoril- Cascais; Carcavelos-Parede; Alcabideche e São Domingos de Rana”. Para Carlos Carreiras, “esta restruturação administrativa permite uma concentração de massa crítica”. “Para que seja possível terão de ser transferidas determinadas competências da Câmara para as juntas de freguesias. Um dos objectivos que se pretende alcançar é a redução das assimetrias dentro do concelho”, avançou o edil. “Tenho a consciência que, uma maior participação da população nestas decisões, é uma proposta revolucionária, mas Cascais não pode ficar de fora desse contributo que queremos dar nesta fase que o país atravessa”, disse. Carlos Carreiras explicou que “com a reorganização dos serviços da Câmara, teremos uma lógica diferente de organizar os departamentos e divisões municipais.O que queremos é uma modernização e racionalização”. “O que queremos é, com custos inferiores, ter uma capacidade de desenvolvimento superior; para isso temos de racionalizar os meios”, frisou ainda o edil. As empresas municipais também vão ser concentradas: “A Empresa de Ambiente (EMAC) vai unir-se às agências Cascais Natura e Cascais Atlântico; a Empresa de Serviços Urbanos de Cascais (ESUC) e Cascais Energia vão intervir no espaço urbano; a Fortaleza de Cascais, a ArCascais e o Turismo do Estoril vão ser apenas uma unidade; a Com- Cascais vai unir-se à DNA Cascais; a EMGHA vai tratar da habitação e da função social na habitação”, explicou, revelando que “a partir de 1 de Janeiro de 2012 estará esta reorganização a funcionar”. E a revisão do PDM? “Em finais de 2012”, prevê Carlos Carreiras. Sobre a restruturação administrativa que levará à fusão de freguesias, o presidente da Câmara de Cascais disse que “deverá ser feita até 2013, se houver alterações ao nível nacional, porque é um assunto que implica também com normas constitucionais”.

Trabalhadores da Académica em protesto

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Há seis meses sem salários, funcionários do clube exigem respostas concretas Com cerca de seis meses de salários em atraso, um grupo de trabalhadores da Associação Académica da Amadora (AAA) manifestou-se à porta das instalações do clube na última sexta-feira, dia 23 de Setembro. Temem a falência daquela colectividade criada em 1940 e acusam a direcção de má gestão. Laurinda Carvalho trabalha há cerca de 20 anos na AAA e desde Fevereiro não recebe ordenados nem subsídio de férias. Garante que é a muito custo que as coisas se vão aguentando em casa. “Tenho uma filha na universidade e o salário do meu marido não chega”, lamenta. “Nem tinha dinheiro para comprar o passe para poder vir trabalhar sem receber, tentei pedir esse dinheiro de volta e só a muito custo consegui”, acrescenta. Esta funcionária explica ainda que pediu “a suspensão do contrato em Julho, com a promessa da direcção que nos iriam buscar de novo". Porém, "estamos quase em Outubro e até agora não nos disseram nada”. Uma situação que não entende porque, “as pessoas procuram muito a instituição para inscrever as suas crianças nas várias modalidades, como a ginástica ou o hóquei”, acrescenta. O dinheiro das inscrições que diz “não se sabe para onde vai”. Rui Adão, um outro funcionário, está em casa desde Abril altura em que fechou o Bingo, adianta: “Tive que pedir a suspensão do meu contrato e agora vivo dias de incerteza. Tenho que procurar emprego mas continuo com vínculo à associação. E a direcção da Académica não nos diz nada”. António Henrique Trindade, outro funcionário, vai mais longe e considera que “o que originou esta situação pode ter sido dinheiro a mais, mas mal gerido. Tivemos há pouco tempo o Torneio Rui Costa que foi pago no final e nenhum trabalhador viu esse dinheiro”. Esta situação que afecta cerca de 75 trabalhadores, entre os funcionários do antigo Bingo que fechou portas em Abril e os trabalhadores que asseguravam a manutenção dos pavilhões da Associação. De acordo com o presidente da direcção do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul, Rodolfo Caseiro, “houve uma reunião no Ministério do Trabalho, em Abril, onde a direcção se comprometeu a dar informações sobre o processo, mas até agora não sabemos de nada”. “Esta direcção tal como as anteriores têm feito uma gestão ruinosa e irresponsável, empurrando a instituição para uma situação de falência e este é um problema também dos munícipes da Amadora, uma vez que a Académica presta um serviço público”, acrescenta o sindicalista. Os trabalhadores estiveram concentrados ao longo da tarde de sexta-feira à porta das instalações chegando mesmo a cortar o trânsito da rua que foi restabelecido após a chegada da polícia. Apesar das várias tentativas, o JR não conseguiu entrar em contacto com a direcção da AAA até ao fecho desta edição.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

ALMOÇAGEME Novo centro clínico

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Obras arrancam no dia 10 no edifício do antigo CCO Os Bombeiros Voluntários de Almoçageme vão disponibilizar à população um novo centro clínico, com melhores instalações e mais valências médicas. O desejo dos responsáveis da associação, que comemorou 116 anos no passado domingo, é abrir o novo equipamento ainda em 2011. Para o efeito, vão arrancar, no dia 10 de Outubro, as obras de renovação da cobertura do antigo CCO (Centro de Coordenação Operacional), numa área que se destinava a heliporto, para acabar de vez com as infiltrações de água no interior do imóvel. O novo centro clínico vai funcionar paredes-meias com o Centro de Fisioterapia, que será entregue à exploração privada, e beneficiar desta proximidade. "Vamos expandir as instalações para o dobro em comparação com o actual centro médico e em articulação com o Centro de Fisioterapia", adiantou Maurício Barra ao JR, à margem da sessão solene comemorativa dos 116 anos da associação. Segundo o presidente da direcção, "as obras da cobertura começam no dia 10 e serão relativamente rápidas. No interior, o espaço está construído e será apenas fazer as subdivisões". Este responsável, que preside à associação humanitária há três meses, não esconde o objectivo de oferecer "uma prenda de Natal à população de Almoçageme": a entrada em funcionamento do novo centro clínico. Mas, Maurício Barra adverte que a realização de obras é sempre sujeita a imponderáveis que podem impedir a concretização desse objectivo. O novo centro clínico vai dispor de mais valências médicas, como pediatria e dermatologia, que se juntam às actuais especialidades de medicina interna, fisiatria, ginecologia/obstetrícia, otorrino, oftalmologia, odontologia/dentista, urologia, psicologia, terapia da fala e psiquiatria. Se o actual centro já permite a realização de análises clínicas, está previsto para o próximo mês, mesmo antes da mudança de instalações, passar a disponibilizar o serviço de imagiologia (ecografia e ecocardiograma). Apesar das limitações de espaço, que, até ao final do ano, vão quase duplicar, "o Centro Clínico de Almoçageme é, a par do Centro de Saúde de Colares, o equipamento mais procurado nesta zona ocidental da Serra de Sintra", realça Maurício Barra, que destaca o papel do dr. Teixeira Botelho na direcção do centro, "uma pessoa muito proactiva e sempre com intenção de dinamizar o centro clínico em termos de serviços à comunidade". A criação do novo centro clínico é vista com bons olhos pelo presidente da Junta de Colares, Rui Santos, "por se tratar de uma mais-valia" para Almoçageme e para a freguesia em geral. O autarca, que integrou os órgãos sociais da associação ao longo de mais de 13 anos, recorda que esta intervenção já constituía um anseio de anteriores direcções, mas que acabou por nunca ser concretizado. Os responsáveis da associação humanitária continuam apostados em servir a comunidade de Almoçageme e dispõem de instalações que gostariam que fossem ocupadas com uma farmácia. A localidade não dispõe de farmácia, desde há cerca de dois anos, quando o alvará existente permitiu a abertura de estabelecimento na zona urbana do concelho. "Temos feito tentativas junto do Infarmed, mas até agora não conseguimos nada", revela Rui Aguiar Silva, vice-presidente da associação, dando conta que a legislação é muito rígida, com um limite de alvarás de funcionamento de farmácias, "o que deixa esta terra completamente isolada" e obrigada a recorrer à farmácia de Colares. As instalações estão disponíveis, "mas precisamos de um alvará", acentua Rui Aguiar Silva que, ainda na passada semana, voltou a solicitar ao Infarmed uma resposta a esta pretensão.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ALGÉS 'É muito fácil ser-se atropelado aqui'

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Velocidade na Avenida dos Bombeiros Voluntários de Algés ‘arrepia’ peões Ao longo da Avenida dos Bombeiros Voluntários, em Algés, é fácil encontrar, por entre moradores ou comerciantes, quem haja escapado por pouco a um atropelamento ou saiba de alguém que foi, de facto, vítima do intenso e veloz tráfego rodoviário naquela artéria, muito procurada por dar acesso a importantes vias como a A5 ou a Marginal. Os sustos são diários, geralmente nas próprias passadeiras, não poupando novos ou velhos, embora estes últimos sejam mais vulneráveis.Ocaso mais recente foi o de uma jovem, mas Cremilde Martins, de 74 anos, lembra-se de “um senhor arquitecto que faleceu ali ao fundo, uma senhora que partiu uma perna… ao meu marido, apanharam-lhe um sapato!”. A população da zona já fez abaixo-assinados e ‘e-mails’ endereçados à Junta de Freguesia e à Câmara Municipal, mas até agora sem resultados concretos. No entanto, basta passar alguns minutos a observar a forma como circulam as viaturas naquele quilómetro de asfalto para se perceber, claramente, que só por milagre os danos humanos não são ainda maiores. A Câmara reconhece a sua perigosidade, pois, segundo revelou ao JR a vereadora Madalena Castro, “estava previsto para este ano o lançamento de um concurso público destinado à colocação de semáforos redutores de velocidade em várias vias do concelho, incluindo naquela avenida de Algés”. Todavia, não houve luz verde para avançar. Razão: a crise financeira do município e do país “atropelou” o referido concurso… “A Câmara tem em desenvolvimento um projecto para a requalificação daquela via, o qual estava a ser coordenado com a duplicação da Ribeira de Algés naquela mesma zona urbana, que é uma obra para 10 a 12 milhões de euros”, explica a vereadora, dando a entender que não valeria a pena fazer alterações na via antes de se avançar com aquela outra empreitada, de maior dimensão. “O município comprometeu-se a financiar metade dessa obra e a Administração Central arcaria com a outra metade; estava previsto que o projecto ficasse pronto até ao final deste mandato para ser lançado concurso a seguir, mas a verdade é que não estamos a ver que o Poder Central possa avançar com a sua parte do investimento”, adianta Madalena Castro, numa alusão às actuais "dificuldades na disponibilização de verbas e financiamento”. Os moradores é que não se conformam. Um dos mais inquietos é Luís Paulino, que desde 2006 vem chamando a atenção de diversas entidades, a vários níveis do poder político e administrativo, para as ratoeiras lançadas aos peões na Avenida dos Bombeiros Voluntários. “Têm havido imensos casos!”, garante. Ele próprio é um sobrevivente, pois só não foi colhido, no passado dia 8, na passadeira existente junto a um supermercado, “por uma unha negra”. Mas, no dia seguinte, outro cidadão teve menos sorte, noutra passadeira, acidente a que Luís Paulino assistiu e que motivou a presença de bombeiros, polícia e INEM. Os moradores propõem a colocação de semáforos redutores de velocidade (em que a luz passa a vermelha quando ultrapassado o limite permitido – 40 km/hora), a colocação de lombas, e o reforço das placas com indicação do limite de velocidade. “Isto não pode continuar assim, a avenida está transformada numa pista onde se fazem velocidades de 80 e mais km/hora. É muito fácil ser-se atropelado aqui. Quantas mais vítimas têm de haver?!”, indignam-se os queixosos. Para Francisco Nunes, o problema é estrutural. “Aos olhos de quem não mora cá, a avenida parece uma recta que convida a acelerar, mas quem mora aqui sabe que esta é uma zona residencial, cheia de gente, com muitos carros a estacionar em segunda fila, autocarros a parar e arrancar, inversões de sentido…”. As consequências deste paradoxo podem causar arrepios. “Já tive aquela sensação horrível de ficar parada ameio da passadeira porque o carro da primeira faixa parou, mas o da outra a seguir passou a uma velocidade incrível, só fica aquela ventania e a impressão de que não se morreu por muito pouco”, testemunha Isabel Pereira, adiantando que, além do mais, não é fácil usar a “zebra”, pois “passam seis ou sete carros e nem reparam, ou então ainda mandam vir se a gente chama a atenção”…

CONCELHO ALMADA Crimes preocupam autarcas

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Assaltos em série levam a pedido de reunião no MAI Numa só semana, Almada foi palco de vários assaltos sendo que o mais violento aconteceu na Quinta do Bau-Bau, Sobreda, quando um idoso, de 73 anos, abriu a porta a três indivíduos; eram sete horas da manhã. Os homens encapuzados sequestraram a família, que os levou aos pertences mais valiosos, enquanto António Macedo foi deixado na garagem com um gorro na cabeça e fita adesiva à volta, acabando por morrer asfixiado. O assalto ocorreu no dia 15 e, logo na madrugada de dia 16, uma perfumaria no centro de Almada era assaltada, cerca das 3 horas, alegadamente por dois indivíduos. Segundo um vizinho, os indivíduos que se faziam transportar numa carrinha, terão utilizado um pé-de-cabra para começar a partir a montra. “Apenas roubaram os perfumantes e os cosméticos mais caros”, refere o proprietário da perfumaria ao Jornal da Região. E a precisão do assalto leva-o a acreditar que os assaltantes tinham espiado anteriormente a loja, reaberta há cerca de quinze dias depois de ter sido remodelada. Na mesma madrugada terá sido assaltado ainda um café na zona de Cacilhas e dois outros no Pragal. E dias antes duas tabacarias no centro da cidade de Almada. Uma sequência de casos que justificaram o envio, dia 16 deste mês, de um ofício do presidente da Assembleia Municipal de Almada em conjunto com a presidente da Câmara, ao ministro da Administração Interna, Miguel Macedo. “Estamos a assistir a um aumento da criminalidade violenta no concelho”, afirma preocupado o presidente da Assembleia, José Manuel Maia. “O efectivo das forças de segurança é insuficiente”, acrescenta, pelo que é pedida uma reunião “com carácter de urgência” ao ministro. Aliás, a 20 de Junho deste ano, a Assembleia Municipal aprovava e dava a conhecer ao Ministério da Administração Interna, o parecer do Conselho Municipal de Segurança que indica a necessidade urgente de reforçar as forças de segurança em efectivo e meios e exigia a rápida construção do posto da GNR na zona do Plano Integrado de Almada, Caparica. Refere ainda o documento que este observatório detectava um sentimento de grande insegurança na população. “É possível que o aumento do desemprego na sequência da crise económica e social esteja a desencadear uma vaga de assaltos”, comenta José Manuel Maia. Contudo, refere ter sido apurado pelo observatório, na comparação do primeiro semestre entre 2010 e 2011, que apesar de se ter verificado uma diminuição do crime participado, “aumentou o crime violento”. Um dos exemplos foi o que aconteceu na Quinta do Bau-Bau, que está a ser investigado pela Polícia Judiciária. Também em investigação está o assalto da perfumaria no centro de Almada, enquanto o presidente da delegação de Almada da Associação de Comércio e Serviços do Distrito de Setúbal afirma que vai solicitar uma reunião com o comando da PSP e GNR de Almada para “saber o que se está a passar”. Gonçalo Paulino acredita que o concelho de Almada “é seguro”, mas estranha esta repentina série de assaltos. “Neste momento a iluminação pública é ligada mais tarde e desligada antes do dia nascer, isto pode motivar os assaltantes”, comenta. Mas também acontece que os lojistas, para poupar, passaram a desligar a iluminação das montras, ao passo que a circulação no centro da cidade também diminuiu. São uma série de questões que o representante dos comerciantes gostaria de ver clarificadas. Estatísticas contrariam clima de insegurança. No entanto, o que se passou durante a passada semana em Almada, pode não ter passado de uma coincidência. Segundo os dados estatísticos apurados pela comandante da Divisão da PSP de Almada, Sofia Gordinho, desde 1 Janeiro de 2011 até 15 de Setembro de 2011, e em comparação com o período homólogo do ano transacto “pude concluir que a criminalidade geral na área desta Divisão Policial regista, inclusive, uma diminuição de cerca de 1,5 por cento”. Já no que se concerne especificamente ao crime de furto em estabelecimento, “regista-se apenas um aumento de 1,5 por cento". Perante estes indicadores, a comandante conclui que existe “uma estatística pouco relevante”. Já quanto ao processo de investigação dos assaltos a estabelecimentos, a comandante não avança informações por não ser, de momento, conveniente.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

CASCAIS Escolas abrem sem atrasos

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Arranque do ano lectivo merece nota positiva O novo ano lectivo abriu sem dificuldades, disse ao JR, a vereadora da Educação, Ana Clara Justino, que assegurou que “não existe nenhum atraso nas escolas públicas, que abriram todas entre 12 e 15 de Setembro”. Em termos de obras, desde o passado ano lectivo, as escolas do 1.º Ciclo têm sido alvo de intervenção de requalificação que, segundo a autarca, ainda “não terminou, mas nesta abertura de ano lectivo antecipámos a abertura do JI de Birre (antiga Birre 1) e JI de Alcabideche (antiga Alcabideche 1) possibilitando 100 vagas adicionais de pré-escolar. Eram escolas de 1.º Ciclo, de duas salas, que foram convertidas devido à reorganização da rede escolar destes territórios”. Também, na passada quinta-feira, a autarquia procedeu à abertura do JI de Sassoeiros que permitiu dar resposta a “mais 50 crianças ao nível do pré-escolar, a que acrescentaremos ainda duas novas salas na nova Escola do Monte, se possível ainda este ano lectivo”. Ana Clara Justino garantiu ainda que “a nova escola do Monte Estoril (construída para receber 250 alunos, 50 dos quais em Jardim-de-Infância), Matos Cheirinhos (para 250 alunos, 50 das quais em Jardim-de-Infância) e São Pedro do Estoril (para 150 alunos, dos quais 50 em Jardim-de-Infância, mantêm o bom ritmo de construção”. A autarca revelou, ainda, que foram realizados vários melhoramentos “com vista a garantir uma tranquila abertura do novo ano escolar, designadamente na escola da Malveira, Jardim-de-Infância de Bicesse, Abóboda 2 (uma sala nova), etc., realizando pinturas e introdução de equipamentos de recreio”. Também no Ensino Secundário são esperadas mudanças no futuro. O que se pretende, segundo a vereadora da Educação, é aumentar a capacidade das escolas para receber mais alunos. Várias escolas serão intervencionadas. Uma delas é a Frei Gonçalo de Azevedo, cujos trabalhos já estão a decorrer, mas também serão alvo de intervenção a Ibn Mucana (Alcabideche), Carcavelos, Polivalente (Escola Secundária de Cascais), São João do Estoril, Alvide e a Fernando Lopes Graça. “Essa intervenção está a cargo da Parque Escolar e tanto a Secundária deCarcavelos, como a Frei Gonçalo de Azevedo, têm as obras a decorrer. Esperamos ter brevemente notícias dos restantes projectos”, salientou a vereadora. O Conselho Municipal de Educação aprovou, entretanto, um novo esquema de Acção Social que se traduz nos apoios do material escolar, bem como nas actividades complementares (visitas de estudo). Ana Clara Justino explicou que se tratou do “alargamento do apoio social às visitas de estudo, como projecto educativo que são. Foi também alargado o apoio aos transportes escolares aos alunos em estágio e, por outro lado, a Câmara vai pôr em funcionamento em breve um minibus para transporte de alunos com necessidades educativas especiais”. Segundo os dados do município, a rede escolar pública do concelho de Cascais conta com 27 jardins-de-infância, com 44 salas e frequentados por cerca de 1100 alunos; 45 escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico com 5700 alunos, do 1.º ao 4.º ano; seis escolas do 2.º e 3.º ciclos e oito escolas secundárias, três das quais integram 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico. O Ensino Secundário é frequentado por cerca de 5000 alunos e há 3000 alunos a frequentar o 2.º Ciclo e 5100 no 3.º Ciclo. A estas escolas juntam-se a Escola Superior de Saúde e Reabilitação de Alcoitão, Escola Superior de Turismo e Hotelaria do Estoril, o Conservatório de Música de Cascais, a Escola Profissional de Teatro de Cascais, entre outras, e umvasto leque de oferta privada nos vários graus de ensino.

MISERICÓRDIA DA AMADORA À espera da comparticipação do Estado

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Unidade de Cuidados Continuados está pronta, mas só abre com contas saldadas A Unidade de Cuidados Continuados de Longa Duração da Misericórdia da Amadora, situada na Cova da Moura, Buraca, está pronta a funcionar. No entanto, apesar da inauguração estar prevista para o mês de Outubro, a instituição não vai abrir portas sem ter a garantia do pagamento da comparticipação a que o Estado se havia comprometido. Em apenas dez meses, a obra de construção de uma Unidade de Cuidados Continuados da Amadora, a primeira do concelho, foi levada a cabo “sem que existisse qualquer derrapagem no orçamento ou nos prazos”, garante Manuel Girão, director- geral da Misericórdia da Amadora. Prova disso é o facto de o edifício, situado paredes-meias com o bairro da Cova da Moura, estar concluído e equipado. “Falta-nos apenas colocar o material nos locais certos”, adiantou o responsável no final da semana passada, acrescentado que “tudo está preparado para a abertura”. Com capacidade para acolher 30 utentes, este equipamento representou um investimento global de dois milhões de euros. A Câmara Municipal da Amadora (CMA) comparticipou em cerca de 20 por cento e o Ministério da Saúde, através de um protocolo celebrado pela Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, assumiu o financiamento de cerca de 35 por cento. “Até agora o Ministério da Saúde ainda não pagou um terço do que se havia comprometido no protocolo que assinámos. De cerca de 750 mil euros de financiamento do Estado ainda só recebemos perto de 200 mil”, garante Manuel Girão. Por isso, Manuel Girão considera: “Não podemos abrir o equipamento sem garantir essa verba, porque não nos podemos comprometer sem saber quando o Estado irá pagar”. A viver um impasse, a Misericórdia da Amadora “não vai esperar muito mais tempo e se até Janeiro não houver pagamentos iremos ter que pensar noutro modelo de funcionamento do equipamento, nomeadamente estabelecer parcerias com privados”, acrescenta Manuel Girão. “Numa cidade com mais de 170 mil habitantes, com uma realidade própria, em que basta ir ao Hospital Amadora-Sintra e ver que não há camas disponíveis para os doentes, a única resposta no concelho nesta área está pronta, mas a aguardar abertura por falta de financiamento. Estamos certos, contudo, que o Estado vai honrar os seus compromissos e confiantes de que tudo se vai resolver, porque a população não pode esperar muito mais”, considera Manuel Girão. O novo edifício, construído nos terrenos da Misericórdia da Amadora, vai ter 30 camas, salas de espera, hidroterapia, refeitório, copas, balneários e um ginásio. Este novo equipamento irá integrar o Complexo Social da Sagrada Família da Buraca onde já funciona um lar de idosos, com 90 camas, e a creche, para 75 crianças. Esta nova valência irá dar emprego a 28 pessoas, entre as quais nove enfermeiros e nove auxiliares de acção médica. Numa altura em que se fala do aumento do desemprego e da pobreza das famílias, neste momento, cinco mil utentes passam por dia pelas várias valências e actividades da Misericórdia da Amadora, instituição que emprega cerca de 400 funcionários. “Hoje já somos dos maiores empregadores do concelho”, realça Manuel Girão.