quinta-feira, 29 de março de 2012

HOSPITAL GARCIA DE ORTA Urgência polivalente para manter

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Responsáveis defendem continuidade do serviço “Os hospitais têm de ser pensados em função das populações que servem”, afirma a ex-ministra da Saúde Ana Jorge,em defesa da manutenção da urgência polivalente no Hospital Garcia de Orta (HGO). Ao que consta, o Ministério da Saúde terá considerado a hipótese de acabar com esta valência na unidade de Almada, mas a ideia não está a ser bem acolhida pelos profissionais do HGO. Actualmente à frente do Centro de Formação, Ensino e Investigação do HGO, Ana Jorge lembra que o Governo está a equacionar as quatro urgências na região de Lisboa, sendo três delas na capital e uma na unidade hospitalar de Almada. O objectivo da tutela parece ser reduzir esta resposta para apenas três urgências polivalentes. “Estamos de acordo com essa concentração de meios”, diz Ana Jorge, mas ao mesmo tempo lembra que o hospital em Almada “não pode ser desqualificado”, porque serve uma população de 700 mil utentes e alguns também da zona do Alentejo. O HGO “é o único hospital diferenciado, polivalente, a sul do Tejo”, afirma Ana Jorge ao mesmo tempo que interroga: “Será que toda a população que vive nesta área vai ter de atravessar pontes, ser sujeita aos condicionalismos de trânsito, para ser atendido em Lisboa quando em Almada tem resposta?”. Por isso entende que a decisão do Governo “tem de ser em defesa da vida”. E caso o HGO fique sem a urgência polivalente “é a população que perde”. “A grande diferença entre uma urgência médico-cirúrgica e uma urgência polivalente é a capacidade de responder a situações de acidentes graves. E o HGO tem essa capacidade”, afirma. Entretanto estão agendadas reuniões entre a direcção do HGO e o Ministério da Saúde. Aliás, a directora clínica da unidade de Almada, Ana França, diz que o hospital tem sido ouvido sendo por isso do conhecimento da tutela a realidade local. Pelo tecido industrial e acessibilidade da região Sul “é grande a susceptibilidade de ocorrerem acidentes graves”, por isso, “o HGO tem de manter a urgência polivalente”. E defende ainda a diferenciação da mesma uma vez que “não pode ser o doente a procurar o médico que o trate de determinada lesão. Tem de ser observado num único espaço”. E, fazendo contas, a directora clínica conclui que manter a urgência polivalente no HGO tem “custos menores” para o Estado “até do ponto de vista da rápida recuperação do doente”. Com a urgência polivalente do HGO “organizada” para responder a situações de emergência, Ana França reforça que a unidade tem respostas ao nível da “diferenciação”, a única dificuldade coloca-se na “falta de recursos humanos”. Assim sendo, qualquer outra decisão implica “perdermos capacidade de tratar casos agudos de emergência”, o que será “um retrocesso em relação à oferta que sempre conseguimos dar às necessidades da população”. E acrescenta: “Desde 2007 que é reconhecido que a urgência do HGO preenche todos os critérios. De acordo com a lei, somos efectivamente uma urgência polivalente”. Seixal justifica mais serviços no Garcia de Orta Com o Governo a manifestar pouco interesse em avançar com a construção do Hospital no Seixal, o aumento demográfico deste concelho é, para a directora clínica do Hospital Garcia de Orta (HGO), mais uma razão para reforçar o serviço na unidade de Almada. Para além disso, os estudos realizados indicavam que a unidade prevista para o Seixal estaria mais vocacionada para tratar doentes em ambulatório. Para Ana França, fará assim mais sentido usar a dinâmica prevista para o Hospital no Seixal para promover mais capacidade no HGO, onde já existe uma estrutura instalada. “Como a capacidade de investimento está muito limitada, temos de dinamizar a estrutura existente e criar novas funcionalidades para dar resposta aos utentes”. Com isto a directora clínica acredita que se poderá dar “uma melhor resposta às listas de espera”. Outro factor que a directora clínica considera importante é “melhorar a interacção com os centros de saúde”. É que o hospital “não pode ser uma estrutura isolada”. Humberto Lameiras

ALMADA Quarteirão para empreendedores

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Autarquia cria novo espaço para funcionar como ninho de empresas Os antigos armazéns de S. Paulo, em Almada, estão a ser reconvertidos num espaço polivalente dedicado a iniciativas empresariais em várias áreas culturais, moda e novas tecnologias. Para além de dinamizar esta zona antiga da cidade, o Quarteirão das Artes pretende também ser um pólo gerador de emprego. A obra já arrancou e, segundo a vereadora da Administração do Território e Obras, Amélia Pardal, deverá estar concluída dentro de nove meses. O Quarteirão das Artes, na Rua Conde Ferreira, implica um investimento de meio milhão de euros e terá onze áreas equipadas para receber o arranque de novos projectos. Alguns dos espaços vão ter comunicação com o exterior podem assim ser usados como lojas de venda ao público. “Neste momento está a ser trabalhado o regulamento que vai definir os requisitos para a instalação das novas empresas” no Quarteirão das Artes e quanto tempo vão poder permanecer, refere Fernanda Matos, directora do Departamento de Planeamento Estratégico e Desenvolvimento Económico. O sistema de funcionamento deste espaço deverá ser muito idêntico dos ninhos de empresas promovidos pela autarquia, com estrutura de apoio ao desenvolvimento de iniciativas ‘start-up’. Para os empreendedores que se candidatem a este espaço “está a ser estudado um fundo municipal”.A restante parte do investimento poderá ser através do IAPMEI e captação junto da banca. Também no âmbito da formação empresarial estão a ser considerados acordos com o IAPMEI, IEFP e da Faculdade de Ciências e Tecnologia. O Quarteirão das Artes insere- se num conjunto de intervenções com financiamento comunitário que têm como objectivo valorizar o centro histórico. Além deste equipamento está também em curso a construção do Museu da Música Filarmónica, o Centro de Interpretação de Almada Velha, a Universidade Sénior de Almada e a consolidação da falésia junto ao Jardim do Rio. Humberto Lameiras

OEIRAS Reordenamento viário finalmente concluído

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Mais fácil e agradável aceder ao Jamor A obra de reordenamento viário da zona Sul do Complexo Desportivo do Jamor, entre aAvenida Pierre de Coubertin e a Cruz Quebrada, foi inaugurada no passado dia 21. A empreitada, que visou melhorar a fluidez do tráfego e tornar a circulação viária neste troço mais segura, acabou por demorar bastante mais tempo do que o prazo previsto devido a imprevistos ao nível do subsolo. A reperfilagem daquela avenida, incluindo a construção e o arranjo paisagístico de uma nova rotunda, a criação de uma zona de estacionamento frente do edifício da piscina e a implementação de um separador central arborizado, para além da reformulação dos passeios e das redes pluvial, eléctrica e de telecomunicações, orçaram em quase 480 mil euros. O presidente da Câmara de Oeiras salientou a importância da obra, lembrando que a mesma vem beneficiar as freguesias da zona no acesso àquela estrutura desportiva, para além de melhorar a imagem do Jamor numa das suas entradas principais. Mas Isaltino Morais fez notar, igualmente, que esta é uma despesa que incumbia ao Estado e que o Município só tomou a iniciativa porque a mesma data de “um tempo em que ainda não havia sido violado o contrato social existente entre a Administração Central e a Local e que levava a que Oeiras se adiantasse ao Estado em várias obras”. Uma época que, entretanto, ‘acabou’, quando freguesias e municípios foram “transformados em bodes expiatórios da dívida do país”. Ainda assim, o autarca não quis deixar de apontar, em registo conciliatório, que o projecto ora inaugurado também pode ser visto como “uma demonstração de que se o Estado e o Município se entendessem melhor para potenciar as virtudes deste espaço os cidadãos de Oeiras e de toda a área de Lisboa teriam a ganhar”, não escondendo que “desde sempre a Câmara de Oeiras teve aspirações a ter mais competências” na gestão do Complexo do Jamor. Todavia, “sucedem-se Governos que parecem ter boa-vontade,mas depois parecem tratar isto como a quinta deles e para tomarem qualquer decisão é muito complicado”, lamentou. O presidente da Câmara afirmou esperar, ainda, que não se repita “a duplicação, até triplicação de equipamentos e infra-estruturas, num e noutro sítio, quando, afinal, temos aqui o Complexo do Jamor”, apto para acolher um conjunto de actividades ligadas ao desporto “que é aqui que devem ser desenvolvidas, como o ténis, o golfe, mas também a Casa das Selecções". E não esqueceu de citar o exemplo dos novos estádios de futebol fechados “enquanto o Estádio Nacional, o primeiro que deveria ser requalificado”, continua à espera. Jorge A. Ferreira

OEIRAS ‘Muitas empresas vão fechar portas’

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ACECOA apela à união dos comerciantes contra medidas do Governo, como a Lei das Rendas Quando mais precisava de apoios, o comércio está a ser sujeito a medidas que ameaçam agravar a situação de um“sector já de si extremamente fragilizado”. Quem o diz, com preocupação, é João Antunes, presidente da direcção da Associação Comercial e Empresarial dos Concelhos de Oeiras e Amadora (ACECOA), apontando o dedo ao Governo. A Lei das Rendas que está a ser ultimada (perspectivando aumentos acentuados), a obrigatoriedade de muitos lojistas e empresários passarem a ter, a partir de Abril, um sistema informático certificado para facturação (com custos estimados em cerca de três mil euros), bem como a diminuição das verbas para uma formação profissional que é cada vez mais necessária (para melhorar o serviço, mas também para evitar multas…) são ‘presentes’ nada apreciados por aquela estrutura associativa por alturas do seu 90.º aniversário, assinalado recentemente. De tal forma que o seu responsável máximo não põe de lado a hipótese de os associados voltarem à rua em protesto, como aconteceu há alguns anos. Por ora, contudo, ainda é o diálogo que prevalece para tentar sensibilizar o poder político e a população em geral sobre o impacto nefasto das reformas em curso. “Se uma empresa despede 100 trabalhadores vão lá as televisões todas, mas o comércio perdeu muitos milhares de trabalhadores desde que deixaram os hipermercados abrirem ao domingo à tarde…”, sublinha João Antunes, olhando a evolução do sector. Mesmo assim, as nuvens negras não pararam de se acumular no horizonte. E a ACECOA prevê “outro rombo” com a Lei do Arrendamento. “O que está proposto levará ainda mais empresas a fecharem portas”, antecipa o dirigente, vislumbrando “aumentos de renda muito significativos, principalmente nas antigas”, entre várias outras ameaças para os inquilinos comerciantes. “Se o senhorio puser na Câmara um licenciamento para fazer obras profundas num prédio poderá pôr toda a gente na rua e pagar apenas três meses a cada pessoa!”, exemplifica. Conclusão: “Esta lei está feita para os grandes fundos imobiliários”. E, “socialmente, vai causar muitos problemas”. Outra dor de cabeça é a entrada em vigor, já em Abril, da lei de certificação dos programas informáticos. “As empresas que ultrapassem certo volume de negócios e de emissão de talões, terão de ter ‘software’ certificado para o efeito que custa dois ou três mil euros. Numa altura destas, é muito pesado… E ainda há um número significativo de empresários que não têm computador ou não o sabem usar”. Situação que levou a ACECOA a escrever, recentemente, uma carta ao Ministério das Finanças criticando a aplicação da medida “a meio do ano” e pedindo adiamento para Janeiro de 2013. A formação, ou a falta dela, é outro problema. “Está tudo parado”, lamenta João Antunes.“O ano passado não houve acções porque tivemos poucas horas atribuídas e, como são planos a dois anos, esgotámo-las logo em 2010”, explica. Uma redução sem lógica perante as cada vez maiores exigências nesta área. “É muito importante a formação, seja de atendimento, de vitrinismo, informática, seja ainda para responder a obrigações legais que dão direito a multa caso não sejam cumpridas”. Razão pela qual a ACECOA está a ponderar a hipótese de avançar com formação paga pelos próprios comerciantes. Quanto a iniciativas de promoção do comércio previstas para Oeiras neste ano, resumem-se a repetir o que foi feito em 2011 em colaboração com a Câmara, ou seja, a Mostra Gastronómica, o Passeios dos Carros Antigos e o São Martinho. “Financeiramente, estamos como o nosso sector: com muitas dificuldades”, lamenta João Antunes. “Vamos ajudando, mas as coisas só poderão melhorar de forma notória se a situação económica do país evoluir favoravelmente”, conclui, alertando para a actual vulnerabilidade do tecido social dos associados: “Os mais antigos sobrevivem porque vão tirando do dinheiro que ganharam ao longo da vida; os mais novos correm maiores riscos de empobrecimento, fecham e abrem estabelecimentos, é complicado…”. Jorge A. Ferreira

terça-feira, 27 de março de 2012

SINTRA Obras dos SMAS causam indignação

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Terras e entulhos depositados em terrenos agrícolas sem autorização dos proprietários Para instalar novas condutas de abastecimento de água, entre Pernigem e Gouveia, na freguesia de São João das Lampas, os SMAS utilizaram "de forma abusiva" terrenos agrícolas privados. O pior, acusam alguns proprietários, "foi terem deixado toneladas e toneladas de terras, pedras e entulhos nas propriedades alheias". "Nalguns casos, até criaram uma barreira de dois ou três metros que impede a entrada nos nossos terrenos", refere Joaquim Caetano Fraga. "Passo aqui há mais de 70 anos e agora nem o riacho posso atravessar. Dantes fazia-o a pé, com a burra, de carroça, ou com o tractor, mas agora nem isso", lamenta, referindo-se à destruição da travessia pedonal sobre a linha de água que por ali passa e à barreira de terras e pedras que impedem o atravessamento do riacho. Joaquim "Vinte e Oito", como ali é conhecido, teme ainda pelos efeitos de um aterro efectuado perto de uma nascente situada já no interior de um terreno. "Mesmo sem chuva, há sempre ali água.Em1940, quando houve uma grande seca, esta nascente garantiu água para o gado e para os campos. Agora está tudo tapado", conta. Filipe Bordalo, outro agricultor da zona, garante que "a obra foi mal feita", pois o caminho agrícola foi reposto "apenas com metade da largura", "não dá para se cruzarem dois tractores" e "as valetas para as águas da chuva estão do lado contrário". "Que raio de engenheiro projectou isto? Basta vir uma chuvada que o pavimento vai todo por água abaixo", questiona, secundado por Domingos Chiolas e Joaquim Duarte. "Não está certo que tenham feito a obra deixando todo o entulho dentro dos terrenos privados", reforçam ainda estes proprietários, que exigem uma intervenção dos SMAS para repor a situação. "Alguém falhou. Se calhar até pagaram a remoção das terras, mas o empreiteiro deixou-as cá", reforça Domingos Chiolas. A primeira entidade a receber os protestos de moradores, agricultores e proprietários de Pernigem foi a Junta de Freguesia de São João das Lampas, onde o presidente Guilherme Ponce de Leão reconhece "toda a razão" às queixas recebidas. Sem responsabilidades na matéria, o autarca remeteu as reclamações para o conselho de administração dos SMAS, exigindo uma reunião no local "com carácter de urgência". Porém, só à segunda tentativa recebeu resposta. "O senhor administrador Cardoso Martins tirou-me do sério, pois desmentiu e negou tudo o que estava no nosso ofício. Ora, se ele viesse ao local, podia ver tudo o que estava mal. Porém, só deve cá vir para inaugurar a obra", acusa Ponce de Leão. O presidente da junta exige "a remoção de tudo o que foi depositado clandestinamente em terrenos privados ou nos baldios de domínio público" e ameaça "recorrer para as entidades competentes". Contactados pelo JR, os SMAS não prestaram qualquer esclarecimento até ao fecho desta edição. Paulo Parracho

Sintra Museu de portas fechadas

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Equipamento está encerrado há largos meses A fazer tempo para uma consulta, o médico João Amoedo dirige-se ao imponente edifício do antigo Casino de Sintra, baptizado desde 1997 de Sintra Museu de Arte Moderna, e depara-se com o aviso que dá conta que o espaço está encerrado para "mudança de exposição". Mas, este pequeno aviso, também traduzido em língua inglesa, já faz parte do espólio da entrada do edifício há largos meses. Morador em Mem Martins, mas frequentador assíduo das exposições patentes no Sintra Museu de Arte Moderna - Colecção Berardo, João Amoedo não esconde a "decepção" por ‘bater com o nariz na porta’. Com excepção de uma exposição inserida na realização do Congresso da Organização das Cidades Património Mundial, realizado em finais de Novembro, o museu encontra-se de portas fechadas desde o Verão de 2011. João Amoedo teve oportunidade de visitar a última exposição, com os trabalhos distinguidos em várias edições do World Press Cartoon, mas, recorda-se, que o edifício já não albergava, então, o espólio da Colecção Berardo. "É uma pena que este edifício esteja de portas fechadas, tendo em conta o que Sintra representa em termos culturais e estéticos", acentua este munícipe, que espera que quem de direito, nomeadamente os responsáveis da Câmara de Sintra, "ponham a mão na consciência e envidem os esforços necessários para tentarem revitalizar este museu que, para além de estar inserido num espaço arquitectónico muito agradável, pode ter versatilidade, em termos da sua organização interna, para apresentar múltiplas iniciativas para além das exposições de pintura ou de escultura". Com uma vasta panóplia de novos artistas a surgirem em Portugal, este equipamento poderia acolher "espaços de divulgação" desses novos talentos. Embora reconheça as potencialidades do espaço para uma oferta cultural mais diversificada, João Amoedo até não partilha da ideia de quem contesta a existência de um museu de arte moderna em Sintra, com pouca capacidade de atrair visitantes, em especial após a abertura do Museu Colecção Berardo, no Centro Cultural de Belém. "Os dois espaços museológicos não são incompatíveis e, inclusivamente, poderia haver permutas de espólio entre as duas áreas de exposição, como, aliás, acontece em museus europeus e também americanos". Com o Centro Cultural Olga Cadaval ali tão perto, João Amoedo considera mesmo que os dois equipamentos até poderiam articular a respectiva oferta cultural. "Sintra é uma pérola estética, uma referência patrimonial, e não pode ter estes espaços vedados a quem cá mora ou para quem nos visita", conclui este munícipe. Embora sem uma posição oficial, fonte municipal adiantou ao JR que o antigo Casino de Sintra já não deverá reabrir com o espólio da Colecção Berardo e que se encontra em estudo o melhor destino para aquele equipamento cultural.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Cidadela de Cascais reabre ao público

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Fortaleza apresenta um visual renovado, com espaços de lazer e nova Pousada de Portugal A Cidadela de Cascais reabriu ao público, no passado domingo, com um novo visual, como restaurantes e esplanadas, ao mesmo tempo que abriu portas a nova pousada do Grupo Pestana. O dia solarengo ajudou à visita e algumas pessoas passearam na praça de armas, apreciaram o exterior do Palácio da Presidência, mas, acima de tudo, despertaram a curiosidade pela nova pousada e pelos novos estabelecimentos de restauração que prometem revitalizar aquele espaço que mistura o passado da vila, com evocação do século XVI, com as novas tendências da arquitectura do século XXI. Foi assim concretizado o processo de requalificação e dinamização da Cidadela de Cascais que, em 2009, motivou o lançamento de um concurso público por parte da Câmara de Cascais, do qual saiu vencedor o Grupo Pestana que se comprometeu a construir uma pousada e a recuperar a restante estrutura inerente à fortificação, mediante projecto dos arquitectos Gonçalo Byrne e David Sinclair que obedeceu a critérios rigorosos de respeito pela sustentabilidade ambiental e valorização do património natural envolvente. A "Pousada Cascais", na categoria de "Histórica Design" (que deverá ser inaugurada oficialmente em Abril), conta com 108 quartos e 18 suites, compostas por oito tipos de tipologia diferentes, representa um investimento de 20 milhões de euros e criou 60 postos de trabalho. “Acreditamos que este é um projecto vencedor não só pela dimensão, localização, qualidade dos equipamentos e dos serviços como pelo carácter único da Cidadela de Cascais com vários séculos de história que o grupo recuperou por inteiro (exceptuando os edifícios da Presidência da República)”, referiu Leonor Costa, directora de comunicação do Grupo Pestana, à agência Lusa. Segundo a mesma fonte, a pousada já tem várias reservas e esteve, antes da abertura ao público, totalmente ocupada por dois eventos privados. Na praça de armas da Cidadela já estão abertos ao público o restaurante “A Taberna da Praça", a gelataria " I Secream For..." e lojas onde se destacam algumas marcas conhecidas como a "NEKKA", a "Com Cor", as malas "Uma" e o Estúdio/Galeria "WORK.INK", e outros espaços "multiusos", enquanto o CC Club tem abertura prevista para o mês de Abril. Quem por lá passou ficou satisfeito com o que viu, como Rui Silva, para quem “fizeram uma boa requalificação do local. A esplanada está bonita e os visitantes podem usufruir na mesma da Cidadela. As esplanadas são muito agradáveis”. Cristina Silva partilhou a opinião: “A Cidadela está muito bonita e deixou de ter o ar de abandono que tinha”. Ana Rita Pereira foi outra das munícipes que visitou a Cidadela que classificou como “lindíssima. Está aqui um sítio que faltava ser reaproveitado em Cascais e que ficou muito bem, com uma bonita praça para receber eventos, cafés e esplanadas muito bonitas. A Pousada também está bem enquadrada e não choca nada”. Francisco Lourenço

CASCAIS Parcerias para a segurança

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Câmara de Cascais celebra protocolo com Ministério da Administração Interna Dotar a polícia de mais meios e melhores condições de trabalho está na base da primeira parceria público-pública celebrada entre a Câmara de Cascais e o Ministério da Administração Interna, durante as comemorações do 145.º aniversário do COMETLIS – Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, no passado dia 13 de Março, que tiveram lugar no Largo 5 de Outubro. A autarquia ofereceu uma 'prenda' à Administração Central, no valor de 1,9 milhões de euros, traduzido em imóveis (nas proximidades da antiga Praça de Touros) para acolher a 50.ª Esquadra de Cascais, Esquadra de Intervenção e Fiscalização Policial e ainda a Esquadra de Investigação Criminal, mas também em meios como três veículos ligeiros, dois motociclos e diverso material informático e administrativo. O protocolo integra ainda uma nova esquadra, fruto da cedência de um espaço e da realização de obras de ampliação e remodelação das instalações da 56.ª esquadra de Trajouce, em S. Domingos de Rana, promovidas pela Câmara Municipal de Cascais. A autarquia, por seu turno, vai dispor da possibilidade de dar novas funções aos edifícios que acolhiam a antiga esquadra na Travessa da Assunção e o Posto de Turismo na Baixa. Durante o seu discurso, o presidente da Câmara de Cascais lembrou que a 50.ª Esquadra estava em instalações provisórias desde 1954 e explicou a importância deste novo conceito de parcerias: “Hoje, a Câmara de Cascais dá, à sua escala, um contributo para que algumas dessas limitações sejam ultrapassadas. Para que as nossas forças de segurança tenham dignidade e capacidade operacional. Na presença do sr. ministro e do director Nacional da PSP e do comandante Metropolitano de Lisboa, assinámos um protocolo de um novo tipo. Chamámos-lhe ‘Parcerias para a Segurança, uma visão de futuro’. Parcerias que prevêem uma série de investimentos autárquicos na reorganização de esquadras e no reequipamento da PSP, com as devidas contrapartidas para a autarquia”. Carlos Carreiras esclareceu também a razão da autarquia estar a “meter a foice em seara alheia”: “Muitos, de forma legítima, perguntar-se-ão o que leva uma câmara municipal a investir em segurança, quando segurança é uma competência exclusiva do Estado através do Ministério da Administração Interna? Têm razão. A segurança dos cidadãos não é uma competência da autarquia. Mas é da nossa competência que os cidadãos vivam em segurança. E é por isso que investimos na PSP e noutras forças de segurança que actuam no nosso concelho”. Sobre os imóveis ao dispor do município, Carlos Carreiras acentuou que, “para além de ganhar policiamento de proximidade útil a todos nas nossas freguesias, os cascalenses beneficiam de um protocolo onde constam os mais elementares princípios de racionalização económica. Falo, nomeadamente, da rentabilização de património anteriormente vedado ao público que vai, a partir de agora, estar ao serviço da dinamização do nosso tecido urbano”. A cerimónia, que juntou várias dezenas de efectivos da PSP, contou com a presença do ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, que pretende desenvolver parcerias destas com vários municípios do país: “Estamos a trabalhar com várias câmaras, e Cascais é um excelente exemplo neste domínio, no sentido de encontrar novas soluções para a recuperação de património que é indispensável para o desenvolvimento da actividade da PSP”. Miguel Macedo frisou que “a maior satisfação para o Ministério da Administração Interna é que deste trabalho resultaram melhores condições para os agentes da PSP”. Durante a cerimónia, foram ainda atribuídas várias condecorações a elementos policiais, entre as quais, a entrega da medalha de prata de serviços distintos ao subintendente Paulo Onofre. Seguiu-se depois a inauguração, após obras de requalificação e alargamento, da 56.ª Esquadra em Trajouce. Francisco Lourenço

AMADORA Antigo ringue dá lugar a centro de saúde

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Instalações provisórias da Unidade de Saúde Familiar de São Brás prontas em Abril Um antigo ringue situado em pleno coração de São Brás, a freguesia com mais habitantes do concelho da Amadora, vai acolher provisoriamente uma Unidade de Saúde Familiar que irá funcionar em contentores amovíveis. A vice-presidente da Câmara Municipal da Amadora (CMA), Carla Tavares, aponta esta como a “solução possível”, tendo em conta a conjuntura económica, para “dar resposta às necessidades da população”. Dadas as fortes restrições orçamentais levadas a cabo pelo Governo, a autarquia da Amadora cedeu o terreno de um antigo ringue desportivo situado ao lado da Escola Básica de 1.º Ciclo Artur Martinho Simões, para que a ARSLVT (Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo) pudesse instalar aí vários contentores amovíveis para acolher uma Unidade de Saúde Familiar que terá perto de dez médicos de família. “Decidimos avançar com a cedência daquele terreno porque era o único espaço disponível no centro da freguesia que já estava equipado com esgotos, água e luz. A par desta cedência, a autarquia disponibilizou um outro terreno, junto à Santa Casa da Misericórdia, para a instalação definitiva da unidade, no entanto, devido à situação que o país vive não se prevê a sua construção tão cedo”, adiantou Carla Tavares. Para já, a autarca assegura que “esta era uma solução necessária” porque “vivemos numa crise e é importante optimizar recursos. Mesmo que provisórias, as instalações servem a população e isso é que é necessário”. Carla Tavares vai mais longe e explica que “estes contentores têm todas as condições de funcionamento, melhores até que algumas unidades de saúde do concelho”. Curiosos são os olhares de quem passa pelo antigo ringue. As obras estão avançadas e a previsão é que entre em funcionamento em meados do mês de Abril. A população embora tema que as instalações provisórias podem passar a definitivas aplaude a iniciativa devido à falta de médicos e as dificuldades em obter uma consulta no Centro de Saúde da Amadora (Venteira). Acácio Carvalho, morador há mais de duas décadas na freguesia, considera que “fazia muita falta um centro de saúde, tratando-se esta de uma das maiores freguesias da Amadora, com mais população”. Este residente reconhece não ter problemas com a marcação de consultas na sua unidade de saúde por ter médico de família atribuído, mas assiste a longas filas daqueles que não têm a mesma sorte. Carlos Santos é um dos muitos utentes afectados pela falta de médicos de família. Nem sempre consegue consulta porque por vezes “vou para o centro de saúde às 6 horas e já tenho mais de duas centenas de pessoas à minha frente”. No entanto, este morador há 30 anos na freguesia não compreende porque “estão a construir agora umas instalações provisórias, para mais tarde voltar a construir outras? Assim, estão a gastar o dinheiro duas vezes”. Também Rosário Cláudio, outra moradora, teme que “o provisório passe a definitivo”, mas mantém a esperança que o acesso aos médicos de família melhore. “Pode ser que resolva os problemas de marcação de consulta”, considera. Milene Matos Silva

AMADORA (IC19) Hortas ilustram paisagens urbanas junto a grandes vias

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Desemprego e necessidade levam muita gente a procurar sustento na terra Num pedaço de terra encravado entre a Estrada Nacional 117 e o IC19, com acesso que só pode ser feito atravessando as vias por onde passam por dia centenas de carros, juntam- se quase diariamente quatro dos chamados agricultores citadinos. Da terra tiram couves, favas, ervilhas, batatas, entre outros produtos hortícolas que ajudam a minimizar as despesas de alimentação, muito embora garantam não dar nem para alimentar a família. Admitem, contudo, que aquela é apenas uma forma de ocupar o tempo que lhes sobra cada vez mais, devido à falta de emprego. Pedro Tavares tem 53 anos e está desempregado. É o mais novo agricultor do grupo que todos os dias se junta para tratar a terra nos taludes do IC19 e da Nacional 117. Era operador de máquinas, mas como “não há trabalho”, pelo menos em Portugal, aproveita o tempo livre para tratar dos terrenos que estão ao abandono. No último Verão trabalhou no Algarve. Porém, até hoje o patrão ainda lhe deve esse dinheiro. Garante que já estaria a viver no Luxemburgo com os seus três filhos, não fosse a autarquia querer retirar-lhe a casa que construiu ao longo da sua vida em Portugal, no bairro clandestino da Estrada Militar da Damaia. “Vivo há mais de trinta anos naquela casa que fui construindo ao logo da vida. Pago impostos, mas, apesar disso, a Câmara quer proceder à sua demolição, caso vá para o estrangeiro trabalhar”, explica Pedro Tavares, natural de Cabo Verde. No intervalo dos biscates que vai fazendo para sustentar a família, junta-se aos amigos para cultivar a terra e para conviver um pouco. Os quatro dividem o que colhem. Pouco imaginavam que os terrenos junto ao IC19 pudessem ser tão férteis, a ponto de ali se poder tirar favas, batatas, couves, ervilhas, cebolas e até mesmo cana-de-açúcar, como faz questão de mostrar Augusto Cardoso, reformado e também originário de Cabo Verde. Foi o primeiro a começar a tratar aquela terra. Dez anos depois garante que “se não fosse a seca teríamos muito mais coisas para comer”. Escolheram aquele local pela proximidade com o bairro da Estrada Militar da Damaia, onde todos residem. “Ainda cheguei a cultivar mais perto de casa, nuns terrenos baldios que existiam, mas depois vieram as máquinas para a construção de uma urbanização e comecei a vir para aqui”, conta. Chega ao talude, todos os dias, perto das 10 horas e só sai por volta das 17. “É uma boa forma de passar o tempo, em vez de estar nos cafés do bairro”. Com os amigos divide o trabalho e organiza almoços com os produtos que a terra dá. “Hoje, fizemos um cozido de peixe, com os grelos e as batatas daqui”, explica. Cada um traz uma coisa e juntam-se na pequena barraca construída para guardar as ferramentas e resguardar da chuva, onde comem e jogam cartas. Armando Brito, também natural de Cabo Verde, estaria a receber subsídio de desemprego, caso o seu antigo patrão tivesse entregue todos os descontos na Segurança Social. Com a crise económica que o país atravessa e sem perspectivas de novo emprego, viu-se obrigado a juntar-se aos amigos. “Se houvesse trabalho não estaríamos aqui, mas não há”, diz com mágoa. Os produtos hortícolas que leva para casa mal chegam para fazer uma refeição, mas gosta de ir todos os dias à horta, acima de tudo “pelo convívio com os companheiros”. Partilha as tarefas agrícolas com os outros, mas também os alimentos e alguns almoços na própria horta. Também Augusto Cardoso, beneficiário do Rendimento Social de Inserção, se debate com a falta de emprego. Para ele, a horta é uma forma de escapar à crise.No entanto, as colheitas este ano também não estão favoráveis, devido à seca. “O tempo não tem ajudado, sem chuva não temos forma de regar o que plantamos”, afirma explicando que “costumamos deixar os bidões sem tampa para que quando chove, consigamos captar alguma água, mas como não tem chovido temos que trazer alguma água, mas não é suficiente para que os legumes possam crescer”. Em Julho do ano passado, a anterior concessionária do IC19, a Ascendi, procedeu, em concertação com a Câmara da Amadora, à remoção de algumas das hortas.No entanto, oito meses depois, os agricultores, na sua grande maioria de origem cabo-verdiana, voltaram a semear e a colher da terra alguns alimentos, por vezes, fundamentais para a sua subsistência. Para Armando Brito “o cultivo não vai acabar porque é uma tradição de Cabo Verde, que todos querem manter”. Milene Matos Silva