quinta-feira, 19 de julho de 2012

OEIRAS ‘Revolução’ à vista na zona ribeirinha


Novos projectos na forja incluem duas marinas e outros tantos hotéis

Novas marinas, empreendimentos de hotelaria, escritórios e habitação com vista para o mar, mais espaços de restauração junto aos areais, sem esquecer a chegada do Passeio Marítimo de Paço de Arcos à Cruz Quebrada, são as principais obras com que a Câmara de Oeiras pretende “revolucionar” a orla ribeirinha do concelho e tornar esta zona num “novo centro de desenvolvimento turístico na Área Metropolitana de Lisboa”. Em tempo de austeridade e dificuldades de financiamento, os projectos na forja podem fazer desconfiar os menos optimistas, mas segundo Paulo Vistas, vice-presidente do executivo municipal oeirense e vereador do Turismo, as maiores dificuldades prendem-se menos com falta de capitais – públicos e, sobretudo, privados – do que com impedimentos de ordem burocrática por parte da Administração Central. “Todavia, isso não nos impedirá de desenvolvermos este território, pois o seu enorme potencial é a maior garantia de que os projectos avançarão”, garantiu Paulo Vistas durante uma viagem de barco recentemente organizada pela autarquia para dar a conhecer os diversos projectos para a zona, os quais, no total, orçam em algumas centenas de milhões de euros. Partindo de Algés com meta na Marina de Oeiras, a viagem é fértil em obras projectadas e outras que têm história recente. A seguir ao novo Centro Náutico de Algés e ao terrapleno onde decorre habitualmente o Optimus Alive, surge uma área que será ganha ao rio, através de aterro, com o objectivo de alargar o espaço de actividades desportivas, culturais e de lazer. O local acolherá as novas instalações do Sport Algés e Dafundo, incluindo escola de vela, além de restaurantes e outras estruturas. Por outro lado, permitirá, ainda, a acostagem de barcos de maior calado do que sucede actualmente. “Estamos num grupo de trabalho como Porto de Lisboa para elaborar um 'masterplan' para toda aquela área, da Torre VTS à Cruz Quebrada, para que haja uma continuidade na vertente turística desde a parte de Lisboa, nomeadamente desde a requalificada Docapesca”, explicou Paulo Vistas aos jornalistas embarcados. Um pouco mais à frente, a margem
direita da foz do Rio Jamor albergará um dos mega-empreendimentos previstos. Iniciativa do Grupo SIL, o projecto, com 83 120 m2 de área de construção, inclui uma nova marina (privada), um hotel de 5 estrelas, 325 fogos, uma nova estação de comboios (Cruz Quebrada), escritórios, comércio e um parque de estacionamento para quase 500 lugares. A edilidade, por seu turno, vai construir um nó de ligação rodoviária, para ligar à CREL por viaduto, num investimento de 4,5 milhões de euros, e receberá, como contrapartidas, uma piscina municipal no local, uma nova rotunda no Jamor e uma pequena ecopista de ligação ao passeio ribeirinho. Entre capitais públicos e privados, o montante a aplicar cifra-se em 250 milhões de euros. Ainda mais avultado é o investimento previsto para o Alto da Boa Viagem (Caxias, em terrenos fronteiros ao cruzamento da Marginal com a ligação à A5). São cerca de 300 milhões de euros a cargo de um fundo de investimento imobiliário. O projecto está em fase de licenciamento da operação de loteamento, mas a necessidade de desanexar algumas parcelas de terreno pertencentes ao Estádio Nacional tem travado o processo. Prevê-se a construção de quase 430 fogos, um hotel de 5 estrelas, um aparthotel de luxo, comércio, serviços e, ainda, um pavilhão multiusos para diversas modalidades – poderá mesmo abrigar o Estoril Open ou integrar o projecto Casa das Selecções. Em Paço de Arcos ficará outra futura marina, esta de gestão municipal, com capacidade para 400 embarcações (maior do que a actual, de Oeiras), cuja construção, porém, não deverá avançar antes de 2014. Ali ao lado, também os pescadores da Praia Velha serão contemplados com mais espaço para a sua actividade, prevendo já a deslocação de pescadores da Docapesca (Pedrouços), num projecto que está a ser preparado pelo Porto de Lisboa em diálogo com a Câmara oeirense – mesmo que nem sempre tenha havido sintonia entre ambas as instituições quanto à dimensão do futuro porto de pesca... A concretização da 3.ª fase do Passeio Marítimo, entre o Forte de São Bruno (Paço de Arcos) e a Cruz Quebrada (cerca de 2 km, com a novidade de incluir uma ciclovia), que deverá acontecer durante o próximo ano e orçar em quatro milhões de euros, bem como a abertura do Hotel Palácio dos Arcos (prevista para o 1.º semestre de 2013), são outras das obras com que a edilidade oeirense pretende transformar a orla ribeirinha. No que respeita às praias que este ano ganharam esta classificação oficialmente – só a Torre assim era considerada – Paulo Vistas salientou a qualidade dos areais e das águas do mar, adiantando que no próximo ano Caxias, a única não vigiada, também terá nadador-salvador, disponibilizando-se a Câmara a suportar esses custos enquanto o Porto de Lisboa não concluir o processo para concessionar aquela praia. 
 Jorge A. Ferreira

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